
Hans-Georg Gadamer.*
De algum modo, em determinado momento da vida, uns mais cedo, outros mais tarde — embora nunca seja tarde — vêem-se nos textos algo mais do que a sequência ordenada de letras e palavras, ou o objeto de temor construído na escola em aulas torturantes de análise (e que depois, em alguma medida, se passa a reconhecer, admirar e a valorizar, inclusive).
O ver além do texto é encontrar seu entrelaçamento com a vida, com a "realidade", ou seja, com este espaço de trocas e de experiências que nos habituamos a chamar de "cotidiano" e que é onde as coisas acontecem e onde o fio da vida se desenrola em milhares de situações.
O texto ganha vida própria e é forma de vida no mundo da vida. A leitura de textos é entendimento. Viver é entendimento. Aí as dimensões estão tão próximas que a magnitude disto é esmiuçada pelo riquíssimo procedimento de filósofos como Gadamer. E estamos diante do milagre da hermenêutica, ou, como diria Gadamer: "a tarefa da hermenêutica é esclarecer o milagre da compreensão"*.
O milagre da criação proporcionado pela hermenêutica e a atualização das tradições, o desdobramento dos círculos hermenêuticos e a fusão de horizontes são algumas questões a serem visadas nos desdobramentos aqui abordados.
Referência da imagem original: http://www.uni-heidelberg.de/presse/unispiegel/us03-01/v_gadamer.jpg